ANNALI LANÇA UMA REFLEXÃO SOCIAL

Reflexão Quando vim a Angola, pela primeira vez, vi uma cidade que reflectia um país em plena ascenção "urbana", com centralidades organizadas, condomínios de luxo, edifícios de escritórios de estilo Americano (arranha-céus), etc... Em 10 dias, pude sentir que o foco do país não estava na área certa. O lado social estava, claramente, renegado para um plano que nem constava da lista. Sem número. Vi crianças, jovens, adultos (homens e mulheres) de aspecto desleixado, pobres e abandonados à sua sorte, lutando para viver com as melhores condições possíveis, lado a lado com aqueles que se queixavam da falta do dólar, para os luxos do costume. Em Junho de 2015 ainda havia um cadinho de dinheiro, mas já se avizinhavam tempos extremamente duros. Vi coisas. Sim, "vi". A minha intuição permite que "veja" coisas. "Vi" a debandada do dólar. E lá foi ele... "Vi" a saída de JES e sugeri deixarem-no ir, mantendo o foco no que era necessário dar atenção: o povo. Só que não... "Vi" a revolução juvenil, nas suas lutas para exigir melhores condições de vida. Manifestações que agitaram alguns... Vi que poderia contribuir com algo e regressei, alguns meses depois. Fiquei. Ficámos (o meu filho e eu). De Dezembro de 2015 a esta data, muito já se passou e muito já aconteceu. Da coisas que "vi", o que mais tem dado mais alegria, é a revolução juvenil. Sim, os jovens estão a promover uma revolução de mentalidades, agindo em prol das suas comunidades. Ainda que muitos não vejam, há jovens a formarem outros jovens, jovens a educarem outros jovens, jovens a solidarizarem-se com outros jovens, jovens que apostam no desenvolvimento da sua terra, criando oportunidades de negócio e, até, empregando outros jovens. Sim, isto tudo está a acontecer nas várias províncias de Angola. Quem está atento e, realmente preocupado com o País, está atento ao que está a ser feito, nos bairros, nas comunidades mais necessitadas, nos becos, nas zonas de difícil acesso. Muitas destas acções não são conhecidas, porque não aparecem nos jornais, nem tampouco nos canais de TV, mas acontecem. Sou testemunha, em primeira mão, de que a luta para elevar o País a Nação é real. Infelizmente, essa luta exige armas que muitos não possuem. Imaginem o Bonaparte ir para a guerra com um garfo ou uma faca! Rídiculo, não é? Pois, é isso mesmo! Esta guerra está a ser travada em pequenas batalhas. Apelo a quem pode ajudar que ajude, de verdade, com vontade e de forma genuína. Não estamos a brincar. A luta é verídica e, apesar de ser cansativa, nenhum de nós pretende desistir, pois acreditamos na mudança e na transformação. Só que as coisas não caem do céu, pois não? Entretanto, da minha parte, agradeço aos que têm apoiado. Tenho saudades dos meus, lá na Europa, mas quem me trouxe para Angola, sabe o porquê de ainda manter-me cá. A vontade de os abraçar vai esperar mais um pouquinho... sou paciente. Bem-haja. WAWATA AMC - Associação para Mulher e Criança; Academia de Liderança Comunitária; Psicologia da Vida Prática; Cantinho da doce mel; Madalena Santiago; Projecto Quero Saber Para Brilhar; Leitura livre; Malony David TD; Sociedade acadêmica ;Firmino Kapangi; Alberto Salembe!

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