REFLEXÃO (TEXTO DE DITO DALÍ) "NÃO BATA NO POLÍCIA"
"NÃO BATA NO POLÍCIA!
Estou revoltado e chocado com os jovens que espancaram um agente da Polícia Nacional em plena luz do dia e na via pública, em Cabinda.
Não se pode humilhar um pai de família, um filho e irmão de alguém daquela forma. Não gostei nada.
Precisamos ter consciência e entender que o polícia é um agente do Estado, é uma autoridade pública investido de poder para servir e proteger o próprio cidadão. Se não formos capazes de perceber que o polícia não é um inimigo do povo, mas sim um irmão dentro da farda, criaremos uma sociedade disfuncional.
Quando nos dirigimos a uma repartição qualquer em busca de bens e serviços, a primeira imagem que temos de um ente público é sempre negativa. Se não é corrupto é arrogante, se não é arrogante é mal educado/a, se não é mal educado/a é aquele que mistura e confunde partido e o Estado(do público e privado), do colectivo ao particular. E tudo isso quando acontece ninguém faz nada, não existe responsabilização institucional. O porquê? Porque o regime decidiu enfraquecer o Estado para fortalecer o partido no poder. Daí, confunde-se tudo e alguma coisa. Hoje, a ideia que nos vem na mente é de que todo polícia é MPLA, o juiz é MPLA, o FAA é MPLA, o bombeiro é MPLA, o SINSE é MPLA, o motoqueiro é MPLA, o Procurador é MPLA, o enfermeiro é MPLA, o professor é MPLA, as riquezas são do MPLA, mulheres mais bonitas são do MPLA, os bancos são do MPLA, os fiscais são do MPLA, jornalistas são do MPLA, mercados são do MPLA. Tudo aqui gira em torno do MPLA. Daí, vemos que o cidadão construiu um sentimento de ódio e vingança contra o polícia e instituições públicas.
O polícia que mata por ordens superiores para defender o político que roubou o seu futuro, o polícia que prende gatuno de galinha mas deixa de lado o Edeltrudes Costa que roubou o sonho de milhares de crianças. Invertemos os valores neste país.
O angolano vive uma profunda crise não só económica, mas crise de valores ético-moral, crises de referências morais, crise nas instituições públicas e quebra de confiança na relação entre o cidadão e o polícia ou qualquer servidor público. Vivemos em constantes desconfiança um dos outros, somos espionados a cada passo que marcamos no nosso próprio país a mando de alguém que tem medo da mudança e até da sua própria sombra. Precisamos acabar com isso urgentemente. Mudanças de mentalidades exige-se para uma verdadeira reconciliação nacional e o aproximar das almas perdidas no ego, no materialimo, na ganância e no apego pelo poder.
É possível restaurarmos os nossos corações, restabelecer a confiança entre irmãos da mesma pátria, e acabar com o medo. Precisamos nos sentir livres.
Desde que nascemos, já começaram a nos alertar: cuidado com isto, cuidado com aquilo". Jovem, tens que te libertar das ideias tóxicas e dos conceitos que nos foram colocados desde o útero materno, desde antes do nosso nascimento, na escola, na sociedade, em casa, ideias odeiosas e malignas que nos impedem de avançar.
Os neurocientistas que estudam a mente humana, dos neurônios e das ligações do cérebro, eles dizem que "nós enquanto humanos só temos 5%" de "livre arbítrio". Significa que cada um de nós só tem a capacidade de 5% para influenciar um ser humano. Esses 5% são muito importantes, porque fazem a diferença". Portanto, por mais que estejamos nesse marasmo do medo inculcado antes do nosso nascimento, durante toda nossa infância, na juventude e maturidade, podemos fazer diferente, sair dos traumas do medo e das desconfianças constantes. Podemos despertar. Podemos nos libertar das amarras do passado e vivermos sem medo, sem ansiedades sobre o que será e como será uma Angola sem MPLA no poder. Não bata no polícia, façamos do polícia um actor importante para à mudança que queremos em 2022!
Como disse a Monja Coen "estamos sempre defendendo e protegendo posições, papéis, chefes, personagens e objectos materiais. Quando tudo isso deixar de ser essencial, o que sobra"?
Valores que estão a ser negligenciados por uma elite perdida? Por uma juventude que não quer assumir o seu lugar? Dom José Imbamba, na sua obra defende" a razão fundamental pela qual a nossa sociedade se está a precipitar para o caos é seu abandono dos valores espirituais e morais que a informaram e inspiraram durante vários anos ou séculos, isto é, Mzamby, a Pátria, família, o Estado, a "Igreja", a Escola, o Direito, a pessoa, a solidariedade, a filantropia, a Justiça etc".
O capitalismo ou a globalização não podem afectar e destruir a cultura e a mentalidade do homem "moderno", que haja coabitação mas nunca renunciar os nossos bons valores.
Não bata no Polícia. Não gostei de ver um agente da polícia a ser agredido e violentado verbalmente.
Não podemos facilitar o trabalho do MPLA que vive momentos difíceis de impopularidade e rejeição desde que é MPLA. Esse regime tem estado a disseminar textos nas redes sociais insinuando e manipulando a opinião pública nacional e internacional que a UNITA pretende fazer guerra, que pretendem repetir o que aconteceu em 1992! Quando todos sabemos que a UNITA já não tem mais um exército militar nem armamento para fazer guerra. Pois, quem tem o comando do país é o MPLA e o João Lourenço. Eles estão a estudar a possibilidade de criarem caos no seio da sociedade para depois atribuírem culpas à UNITA. Desta feita, todo cuidado é pouco e devemos evitar confrontos com as autoridades policiais e sempre na base da luta não violenta.
A nossa geração não pode falhar."
Texto: Dito Dalí.
30.04.2021.
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